Converse com seu filho adolescente

A psicóloga e psicanalista Letícia Rangel (CRP 06/129638), parceira da Vittude, nos dá uma dica que parece besta mas fundamental para entendermos melhor nossos filhos(as) adolescentes: A CONVERSA. Conversar com seu filho ou filha adolescente, que poderá ser difícil inicialmente, será a maneira mais eficaz de manter-se próximo dele, e ele perto de você.

Quer conhecer seu filho adolescente? Converse com ele. Parece simples, mas às vezes soa complicado. Passamos anos tentando ensinar os filhos a conversar, mas quando eles finalmente estão com a linguagem dominada, não aproveitamos para dialogar. Não seria melhor conhecer primeiro o filho para depois ver o que em que ele mais precisa ser orientado? Dessa forma não há o risco de conclusões precipitadas. Vou ilustrar abaixo alguns exemplos de como você pode melhorar essa comunicação e, consequentemente, esse relacionamento tão importante.

Fale a língua da tribo

Não é preciso falar na linguagem, mas sim na língua deles. Um adulto, um pai ou uma mãe falando “adolescentês” certamente é esquisito, mas conhecer alguns códigos é fundamental para estabelecer um verdadeiro diálogo.

São inúmeras gírias, palavras estranhas, frases esquisitas. Isso sem falar na linguagem escrita em mensagens que mais parecem códigos. O adolescente está passando por mudanças, consolidando sua identidade, e para isso o grupo é fundamental! Pertencer a um grupo significa seguir seus códigos. A linguagem nada mais é do que uma junção de códigos com a finalidade de expressão. Começar a entender esse linguajar, por mais “esdrúxulo” que pareça, é o primeiro passo.

converse com seu filho adolescente

A melhor ponte entre você e seu filho(a) adolescente é o DIÁLOGO. Então converse com ele(a).

Domine a cultura do grupo

Outro aspecto importante é conhecer seu mundo. Saber de que bandas gosta, quais filmes curte, o que e quem são significantes para ele(a), o que ele(a) faz, quem são seus amigos. Não é necessário gostar dessas referências ou passar a ter hábitos adolescentes. Esse tempo já passou para nós, não se esqueça! Use essas informações para compreender o mundo dele(a).

Desça do palanque

Parece que os pais se transformam em verdadeiros discursistas quando querem tomar conta dos filhos, ensinar e proteger nessa fase tão importante e, por que não, perigosa. Para aconselhá-los, porém, é importante sair da posição superior e evitar ficar simplesmente exercendo o papel de educador. Conhecer esse universo é importante para saber onde e como ele(a) precisa ser orientado(a).

Perguntas simples como“O que acha do que disse?” “Isso faz sentido para você?” tornarão tudo mais agradável, envolvente e eficiente. Converse, pergunte, dê abertura.

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Não despreze seus dramas

Tudo para um adolescente pode tomar proporções enormes. Os hormônios estão fervendo, sua cabeça pensando em tudo, seus valores sendo revistos, seu corpo mudando. Adolescentes estão entrando numa fase de responsabilidades, onde estão cientes de que sua infância despreocupada está acabando e de que de agora em diante terão cada vez mais deveres. Há muito sofrimento. Cabe aos pais nunca desprezar essas emoções e sentimentos tão confusos.

Ouvir por horas a fio o filho reclamar do professor que o odeia, que o persegue (mesmo sabendo que é exagero, dado que ele só tira 9 nessa matéria) ou a filha cuja melhor amiga (que ela conheceu há 3 meses) contou que ela dorme abraçada com um ursinho de pelúcia para toda a escola pode parecer bobo. Afinal, temos coisas muito maiores para nos preocupar. Mas essa é a vida de cada um e isso tem que ser respeitado, dando a cada fato o valor que o adolescente atribui. Ouçam, perguntem, conversem, aconselhem se for o caso, mas nunca menosprezem.

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Não exagere: filho não é amigo

Ter um bom diálogo não quer dizer que, como muitos pais fazem, é possível conversar sobre tudo sem censura. É aí que os exageros e grandes erros são cometidos, como dizer o que eles ainda não têm maturidade para ouvir, contar outras para quem não está ainda pronto para conhecer, e pior, passar a falar como se seu filho fosse seu amigo. Não! Tudo tem seu tempo. Filhos podem ser excelentes companhias, mas não são seus amigos. Pais são pais, filhos são filhos, amigos são amigos. São papeis diferentes. Não se pode misturar. As figuras parentais têm que ser preservadas.

Filhos têm segredos. Especialmente os adolescentes. E isso tem que ser respeitado. Da mesma forma que os pais não podem (nem querem) sair dividindo com eles aspectos muito íntimos de sua vida privada, os filhos também têm esse direito. Para isso, em ambos os casos, existem os amigos, os psicanalistas e os parentes com os quais o diálogo é outro. Respeito aqui é fundamental. Tenha maturidade para entender que nunca saberá absolutamente tudo da vida de seu filho.

Reverta o silêncio

“Ah, mas meu filho não conversa comigo, é cheio de segredos! Não consigo trocar 5 minutos de conversa”. Problema à vista! Talvez porque em algum dos aspectos enumerados acima, esteja havendo falha. Reveja o relacionamento, a forma como a conversa (ou a falta dela) é conduzida. Tente, mude, é possível. Se houver vontade e interesse, pode-se começar realmente a conversar com os filhos e fazê-los gostar disso.

Adolescentes que não conversam com os pais são filhos desconhecidos. E isso só piorará com o tempo e só aumentará a distancia entre as partes. Dialogar inclui ouvir, de ambas as partes. Conversar é fundamental, é conviver, é conhecer, é dividir. É curtir um ao outro. Seu filho ficará muito mais aberto e querendo participar sua vida se houver diálogo, e isso requer ambas as partes. Educar é exemplo. Se não começarem a conversar, não espere que eles o façam.

E se pintarem dúvidas, angústias, maiores conflitos ou problemas, procure sempre um apoio de um profissional como um psicólogo.

*Autora: Letícia Rangel (CRP 06/129638) é psicóloga e psicanalista parceira da Vittude. Ela atende adolescentes e adultos. 

Material publicado originalmente no blog da start up Vittude e cedido gentilmente para compartilhamento no 4daddy.

 

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