Cadê meu ursinho? – Os objetos de apego das crianças

Antes do “ursinho”, sabemos que o bebê faz uso de seu próprio corpo para se aliviar de excitações excessivas e reencontrar certo equilíbrio. Os bebês colocam seus dedos, punhos e os polegares na boca: explorando-os, estão estimulando uma zona de prazer oral e também se acalmando. São recursos iniciais que o bebê vai conquistando para lidar com as primeiras ausências, muitas vezes momentâneas, do cuidador, de suas mães.

Segurar a ponta do cobertor, uma fralda, algum objeto macio como um “ursinho” ou outro objeto escolhido pelo bebê é muito importante para ele. Apesar destes objetos serem exteriores ao bebê, ele os reinventa fazendo uso novo e muito importante de sua imaginação: o bebê recria o objeto, que passará a adquirir um novo significado para ele. O urso de pelúcia nunca mais será um urso de brinquedo qualquer, será o “seu ursinho”. O bebê recria e se apossa do objeto.

cadê o meu ursinho

O bebê assume direitos sobre o “seu objeto”, o famoso “ursinho” ou qualquer outro objeto que ela adote.

O objeto de apego

O bebê assume direitos sobre o “seu objeto”, o famoso “ursinho” ou qualquer outro objeto que ela adote. Muitas vezes ele até fica sujo, pois, se for lavado, pode perder o cheiro, mudar a textura e deixar de ser aquele objeto familiar do bebê. Alguns bebês ficam tão ligados ao seu “ursinho”, o objeto de apego, que precisam carregá-lo durante o dia, para lhe trazer conforto nas horas difíceis.

Esse objeto, chamado transicional, é carregado de significado e começa a surgir por volta dos cinco meses, permanecendo até os dois anos de idade, quando o bebê já tem internalizado uma imagem da mãe/cuidador.  São objetos que permitirão ao bebê se tranquilizar na ilusão da presença materna, estando a meio caminho entre ser parte do mundo interno do bebê e parte do mundo externo, da realidade.

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A separação psíquica com a mãe

Caro Pai, saiba que o uso do objeto transicional indica um avanço no desenvolvimento do bebê, pois sinaliza que houve um início de separação psíquica da mãe.

A segurança que a mãe/educador, e principalmente o pai, oferece ao bebê é, em parte, transferida ao seu objeto de apego. O bebê, que, no início de sua vida, dependia absolutamente do cuidador, de sua mãe, para tranquiliza-lo física e emocionalmente, agora, com seu “ursinho”, é capaz de proporcionar a si mesmo certo alívio e sossego.

Em situações cotidianas mais perturbadoras, como o momento de adormecer ou na ausência da mãe, tais objetos funcionam como uma defesa contra a ansiedade de separação. E são também valiosos nos momentos em que o bebê está só ou irritado.

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Nem todas as crianças têm um objeto de apego, mas este fenômeno transicional acontecerá de outra forma. Pode ser uma melodia, uma história, um hábito que o bebê repetirá no momento de ir dormir, constituindo uma defesa contra a ansiedade.

À medida que o bebê cresce, o “ursinho”, isto é, o objeto de apego vai perdendo seu significado inicial. Será transferido para outros contextos: o bebê entrará no mundo da fala, dos brinquedos, da boneca, das brincadeiras. Mas isso ainda levará algum tempo.

A necessidade do objeto de apego poderá reaparecer em idade mais avançada, em situações que perturbem emocionalmente a criança.

*Autora: Silvia Gomara Daffre, psicóloga, formada pela PUCSP em 1974; atua em consultório, atendendo crianças, adolescentes e adultos. Trabalha com assessoria e consultoria para a Primeira Infância (0 a 6 anos).silvia@silviamaterne.com.br / Tel.(11) 55752359

 

 

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