Você sabe o que é TELITE ? Ou Melhor: Vício a telas digitais

Telite é o uso excessivo das telas digitais ou da televisão com a exposição descontrolada e prejudicial aos
videogames e jogos online, por crianças e adolescentes em pleno desenvolvimento cerebral, que pode ter
consequências danosas à saúde. É a atração aos conteúdos frequentemente inapropriados ou violentos, durante muitas horas, e sem qualquer controle ou supervisão dos pais.

Muitos comportamentos podem ser considerados como “efeitos colaterais” ou associados ao uso prolongado das telas, tanto em smartphone, notebook, computador ou mesmo na televisão, como, por exemplo: cansaço, irritabilidade, mudanças abruptas de humor como a presença dos sentimentos de tristeza, raiva ou frustração; isolamento, rejeição, acompanhados por agitação psicomotora e dificuldades no sono, à noite.


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Reações corporais negativas

Também surgem reações corporais frequentes com o uso indiscriminado de telas, como: olhos vermelhos e ressecados, zumbidos nos ouvidos, dores musculares, dores-de-cabeça, choros e outras queixas vagas, que se tornam constantes e terminam por modificar os hábitos e as rotinas de vida. Além disso, podem atrapalhar os momentos de lazer ou descanso e a satisfação nos relacionamentos com a família e os amigos, dificultando a convivência na escola ou no trabalho.

O uso contínuo das conexões digitais, redes sociais, aplicativos, jogos online e videogames, gravações no youtube e acesso à internet por crianças e adolescentes, são considerados somente “distrações”, por
muitos pais ou adultos desinformados. Na realidade, as associações aos comportamentos de risco são frequentes, graves e estão exacerbadas principalmente, nas idades precoces da infância, entre 3 a 5 anos, e durante a adolescência, entre 13 a 17 anos. Quanto menor a idade de início do uso e maior o tempo na frente das telas, piores são as consequências à saúde e ao desenvolvimento mental e comportamental
das crianças e adolescentes.


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Reações psicológicas negativas

Algumas das complicações observadas são: o aumento da impulsividade, episódios de ansiedade e
depressão, transtornos mentais como ideação ou tentativa suicida, acidentes e lesões de automutilação,
uso de drogas e de outros medicamentos, além da participação em desafios perigosos ou mesmo sinais da dependência digital, sendo razões de alerta para uma avaliação médica imediata e uma ajuda psicoterapêutica especializada.

O sufixo ite é usado para denominar o processo de inflamação que ocorre por quaisquer motivos,
como nos casos de rinite, sinusite, etc, e que podem se agravar se não forem tratados adequadamente. De forma semelhante, a telite precisaria não só ser interrompida e com urgência, mas prevenida com ações imediatas, de desconexão com o equipamento ou a Internet com mais frequência, principalmente durante as refeições e ainda, 2 horas antes de dormir. Inclusive nos finais de semana.

Recomendações

O uso de filtros apropriados e o controle de horários de exposição às telas podem ser terapias alternativas. Mas, a melhor recomendação é o diálogo entre pais e filhos, educadores e estudantes, sempre explicando sobre os riscos de segurança contra todos os tipos de violência online.

Mais ações de prevenção nas escolas e campanhas de alertas e informações aos pais são, atualmente, prioritárias. O mundo digital é um desafio e por isso mesmo, se torna importante repassar mensagens educativas sobre como evitar a telite (uso excessivo de telas) e suas consequências perigosas à saúde, para assim melhorar a qualidade de vida das crianças e adolescentes e a convivência com suas famílias. Proteção social é uma responsabilidade de todos!

Observação:

TELITE é uma palavra criada por profissionais de saúde, médicos e psicólogos que
lidam com crianças e adolescentes, somente para atrair a sua atenção para os cuidados
necessários com a exposição precoce e prolongada às telas e a necessidade da supervisão dos
pais. Agradecemos o compartilhamento dessa iniciativa dos direitos e cuidados à saúde das crianças e
adolescentes brasileiros. Eles merecem muito mais afeto do que a violência através das telas: conecte-se ao que importa!

*Autora: Dra. Evelyn Eisenstein, Possui graduação em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1972), mestrado em Endocrinologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1991) e doutorado em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (1999). Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, editora científica da Revista Adolescência & Saúde, e membro da International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect, e da Society for Adolescent Health and Medicine, SAHM e consultora – Medical Missions for Children. Tem experiência na área de Medicina, Pediatria e Clinica de Adolescentes, atuando principalmente nos seguintes temas: adolescência, rastreamento de riscos, ações de prevenção, crianças e adolescentes. Atualmente, Coordenadora de Telemedicina da FCM-UERJ e Coordenadora do SIG de Saúde de Crianças e Adolescentes da Rede Universitária de Telemedicina, RUTE, para todo território nacional. Diretora da Clinica de Adolescentes e do CEIIAS, Centro de Estudos Integrados, Infância, Adolescência, Saúde (www.ceiias.org.br). Recebeu o premio Outstanding Achievement in Adolescent Health and Medicine, da Society for Adolescent Health and Medicine, durante o 2015 Annual Meeting, que ocorreu em Los Angeles, Estados Unidos. Colaboradores: Drs. Luci Pfeiffer, Susana Estefenon, Emmalie Ting, Fabiana Vasconcelos, Gianna Guiotti, Suzy Santana Cavalcanti, Daniela Lemos, Claudia Mascarenhas, Eduardo Jorge Custódio da Silva, Cristiano Nabuco, Daniel Franco, João Amaral, Marco Gama. Fonte: REDE ESSE MUNDO DIGITAL: www.essemundodigital.com.br, https://www.facebook.com/EsseMundoDigital, contato@essemundodigital.com.br, @EsseMundoDigital

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