Os pais não devem ser deixados de lado pelos profissionais de saúde

O pediatra Marcus Renato incentiva os pais a participarem das consultas rotineiras do bebê, leia com muito carinho essa matéria escrita por ele que saiu no site da CLICK BEBÊ, uma parceira do 4daddy.

Há alguns anos recebi o relato de um colega, que se recusou a atender no ambulatório um lactente, porque a mãe não estava presente e o pai não saberia responder sobre alimentação, vacinas e desenvolvimento.

Felizmente, hoje é uma atitude que raramente presenciamos, pois é crescente a participação dos homens no cotidiano dos seus filhos e os pediatras já reconhecem o valor da presença do pai.

No entanto, tanto a rede pública como a privada tem um caminho longo no sentido de acolher o pai que cuida do seu filho. Muitas vezes, nas salas de espera dos ambulatórios e/ou consultórios, os homens são esquecidos e não sabem que podem e devem entrar e participar das consultas. Quando um profissional de saúde conversa com a mãe sobre o estado de saúde de uma criança, o pai é totalmente ignorado. Parece que ele só serve para segurar a bolsa do bebê.


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Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2013, demostrou que, apesar da implementação da Lei do Acompanhante, o número de mulheres que não tiveram nenhum acompanhante durante o parto ainda é grande no SUS: 65% das entrevistadas. Apenas 13% dos partos tiveram a presença do pai.

Para mudar esse cenário, uma das iniciativas mais vigorosas vem do Rio de Janeiro com o mês de Valorização da Paternidade, instituído pelo Comitê Vida da Prefeitura do Rio de Janeiro, grupo de trabalho intersetorial que integra profissionais de organizações governamentais e não-governamentais, universidades e demais pessoas e instituições interessadas.

Essas ações de promoção do cuidado paterno estão respaldadas pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) instituída por uma lei em 2009, e tem como objetivo implementar ações de saúde.  Visa também promover o engajamento dos novos pais nas ações do planejamento reprodutivo e no acompanhamento do pré-natal, do parto e do pós-parto de suas parceiras e nos cuidados para o desenvolvimento da criança, com a possibilidade real de melhoria na qualidade de vida para todas as pessoas envolvidas e vínculos afetivos saudáveis.

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Pediatras

Os pediatras precisam usar esta relação de confiança na convocação dos homens nas consultas, como acompanhantes nas internações, no pré-natal e no momento do parto. É preciso criar um espaço para que os homens possam aprender que eles também fazem parte do cuidado com o filho, beneficiando o bebê e toda a família.

Inúmeros estudos demonstram a importância do pai e da paternagem no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Quando o pai está ausente, há mais chance de gravidez na adolescência, uso de drogas, abandono da escola e envolvimento em situações de violência. Portanto, pai que é pai não ajuda, ele cuida do próprio filho.

*Autor: Dr. Marcus Renato Carvalho, pai da Clara e Sophie, é pediatra há 34 anos, professor na Universidade Federal do RJ, especialista e consultor internacional em amamentação. Editor do portal aleitamento.com e integrante do Grupo de Trabalho “Homens pela Primeira Infância” da Rede Nacional Primeira Infância. Link original do site e parceira Click Bebê: http://bit.ly/2ysFAW7

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