Calma! Não estou me referindo à educação relacionada aos bons modos e aos bons costumes (dizer “com licença; “obrigado”; “por favor” ou saber se comportar na presença de outras pessoas). Para esse tipo de educação, acredito que a maioria de nós foi devida e minimamente bem educada.

Refiro-me a dois tipos de educação para as quais a imensa maioria da população de pais brasileiros foi, de alguma forma, privada desde a infância pelos seus pais (estes entendidos no sentido de núcleo familiar). Com raríssimas exceções, desde pequeno até a idade mais madura não fomos devidamente educados para o empreendedorismo (desenvolvimento de uma empresa/negócio ou projeto social, com ou sem fins lucrativos) e para as finanças e investimentos financeiros pessoais.

Vamos por partes. No caso da educação profissional, o mais comum é o ouvirmos de nossos pais a seguinte orientação: “estude muito, seja um bom aluno, tire boas notas, seja aprovado numa faculdade pública, de preferência, seja o melhor e mais destacado profissional de sua área e consiga um bom emprego, seja numa multinacional ou no serviço público (pra sair o quanto antes de casa, por favor…)”.

Com raras exceções, devidamente explicadas ou justificadas mais adiante, somos orientados a empreender algum tipo de negócio/empresa, seja como meio principal ou complementar de vida e, principalmente, como meio para ser muito rico. Particularmente, conheço pouquíssimos empregados e/ou profissionais liberais verdadeira e licitamente ricos. Quando o são, advém justamente do segundo tipo de educação a que mencionei acima: a educação financeira e para a realização de bons investimentos (a caderneta de poupança não se inclui nessa categoria, tampouco a previdência privada, diga-se de passagem).

Em geral, as pessoas que decidiram em algum momento de sua vida empreender foram influenciadas, na ordem, seja pelos seus pais (por já possuírem algum tipo de negócio e, por isso, passaram a envolver seus filhos neles – na perspectiva de uma, quem sabe, sucessão familiar), seja por amigos ou outras pessoas próximas (outros parentes, professores etc.). Definitivamente, não foi na escola ou mesmo na faculdade que isso foi de alguma forma estimulado/desenvolvido. Estas – escola e faculdade – mal foram (ou deformam?) para o ensino profissional ou profissionalizante.

De modo semelhante, não fomos educados financeiramente. Somos estimulados e pressionados a ganhar dinheiro, mas os nossos “professores” nesse ponto são o gerente do banco ou alguma corretora de investimentos, já na idade adulta. A escola no máximo nos ensina as operações matemáticas que, dependendo da profissão, podem ser aplicadas, mas na maioria das vezes não o são e não servem muito para a educação financeira. Juros compostos e noções de contabilidade (ativos e passivos) não são devidamente ensinados e aplicados nesses níveis de ensino.

Porém, uma coisa é ganhar dinheiro, outra é administrá-lo e fazê-lo trabalhar por nós. Em nível mais avançado, saber fazer boas opções de investimentos, seja em imóveis ou commodities mais sofisticadas (metais preciosos, energia renovável, agronegócios etc.). Sabemos que tão importante quanto ganhar não é somente saber poupar, tendo em vista que o papel moeda vale cada vez menos (a crise atual que nos diga); mas, sim, saber fazer com que os ativos comprados como esse dinheiro nos gerem um fluxo de caixa constante (ativos que ponham dinheiro de volta em nosso bolso).

Assim sendo, precisamos aprender a ganhar dinheiro com quem de fato soube ganhar dinheiro ao longo da vida, ou seja quem é rico de verdade; não somente com “especialistas” em finanças pessoais.

Não por acaso, tenho estudado e praticado muito sobre esses dois assuntos e pretendo deixar para os meus filhos esse que acredito que será o meu maior legado, após os valores e a formação de caráter para o bem próprio e da sociedade. Está em formação uma biblioteca particular nesse sentido. Na primeira fila? O clássico “Pai Rico, Pai Pobre de autoria de um dos autores e escritores que mais respeito: Robert Kiyosaki, além de toda a coleção dos demais livros desse autor os quais recomendo, como, por exemplo “Empreendedorismo não se aprende na escola”; sugestivo, não?

Mais uma vez, a pergunta do título se interpõe: não fomos educados; nossos filhos serão?

Nesse sentido, por fim, lanço um convite a você, pai: vamos estruturar a nossa biblioteca virtual nesse blog relacionada a esses dois assuntos? Já comecei com duas sugestões 😉

*Autor: Adriano César, Consultor Organizacional com larga experiência em consultoria em RH e Carreira. E-mail: adriano@adrianocesar.info

 

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