A participação dos pais para o desempenho dos filhos nos estudos

Link original: http://bit.ly/2CFYU3W

“Escola deve ser vista de forma positiva”, diz consultora sobre comportamento dos pais na volta às aulas

Para Andrea Ramal, a participação dos pais é determinante para o desempenho dos filhos nos estudos. Muitas escolas retomam as aulas nesta semana

Doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a consultora educacional Andrea Ramal afirma que o desempenho escolar de crianças e jovens depende – e muito – da participação dos pais no processo educativo. Segundo ela, o ideal é que os adultos acompanhem o dia a dia dos filhos em sua relação com a escola e com os colegas, estabelecendo horários para o lazer e para os estudos. GauchaZH aproveitou a volta as aulas para conversar com a especialista por telefone. Leia os principais trechos da entrevista:

Que impacto tem na criança o hiato entre o fim de um ano letivo e o começo do ano seguinte?

Por um lado, é positivo. É hora de descansar a mente e de ter atividades que possam favorecer o desestresse. Há mais lazer, mais contato com família. Pelo lado dos estudos, existe uma perda no ritmo e do hábito de leitura. Por isso é tão importante, na volta às aulas, ir retomando aos poucos, até recuperar a rotina de estudos e leituras.


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Como os pais podem auxiliar os filhos?

Uma semana antes da volta às aulas, é interessante ir habituando a criança a horários mais rígidos – não dormir tão tarde, acordar mais cedo – para não haver uma mudança abrupta. Os pais não deveriam demonstrar ansiedade ou, como fazem alguns, falar da escola de maneira negativa. Dizer frases como “agora acabou a brincadeira”, “acabou a diversão”, “a vida é dura” pode causar uma imagem ruim na cabeça da criança. Os pais devem falar disso de uma forma positiva, mencionando, por exemplo, que é o momento de rever os amigos.

O que a escola e os professores precisam fazer nesta etapa?

A escola deve dedicar alguns dias a uma revisão das matérias, porque pode ocorrer esquecimento dos conteúdos. E, da mesma forma que os pais, os professores não devem apresentar a volta ao estudo como algo negativo. Devem fazer dinâmicas de grupo, jogos e atividades motivadoras, que tornem esse retorno algo mais suave.

Como preparar os filhos para a interação com novos colegas e professores?

Primeiro, falando dessa possibilidade de conhecer novos amigos como algo positivo. Mostrar que é essa diferença que nos faz crescer e nos enriquece como pessoas. Ao mesmo tempo, se houver perda de algum colega – seja por repetência, transferência ou qualquer outra razão –, os pais podem aproveitar a oportunidade para manter essas amizades vivas, chamando os amigos para lanches, jogos. Isso mostra à criança e ao jovem que não ser mais colega de aula não significa que a amizade terminou.

Dizer frases como ‘agora acabou a brincadeira’, ‘acabou a diversão’, ‘a vida é dura’ pode causar uma imagem ruim na cabeça da criança. Os pais devem falar disso de uma forma positiva, mencionando, por exemplo, que é o momento de rever os amigos.

O que fazer se o aluno não se adaptar à escola no novo ano?

Não tem que se precipitar. Tem alguns pais mais ansiosos do que as próprias crianças. Se a criança não vai bem, logo troca de escola. Primeiro, deve-se procurar a instituição para saber como é o comportamento do filho, conversar com outros pais para questionar se os seus filhos estão sentindo a mesma coisa. Pode acontecer alguma resistência relacionada a bullying, por exemplo.

 

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Como ajudar o filho a ser um “aluno nota 10”?

Acredito que, principalmente, participando da vida escolar do filho. Olhar o dever de casa todos os dias, conversar como foi o seu dia na escola, estabelecer horários para lazer e de estudos. Existem pesquisas que mostram que crianças cujos pais participam ativamente da vida escolar alcançam melhores notas e, dificilmente, têm repetência. São coisas simples, mas que exigem dos pais paciência e autodisciplina.

E se o filho tiver dificuldades de aprendizado?

Primeiro, se houve uma nota baixa no começo do ano, não deixar acumular até chegar à recuperação para tentar tomar uma atitude. Tentar saber se é problema do aluno, da escola. E ir ajudando o jovem ou a criança a correr atrás. De maneira nenhuma tem de ser com bronca, pressões ou ameaças, isso só gera estresse.

Se tivesse de dar uma mensagem objetiva aos pais nesse começo de ano, qual seria?

Participe ativamente da vida escolar do seu filho, porque os bons resultados serão fruto da parceria entre escola e família.

*Autor/Fonte: Marcelo Monteiro, colunista da GauchaZH. Link original: http://bit.ly/2CFYU3W

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