Os bebês entendem o que os adultos falam?!

Os adultos sempre falaram com os bebês, mas atualmente essa atitude é considerada indispensável para o seu desenvolvimento. É comum, porém, ainda ouvirmos a pergunta: por que falar com o bebê se ele não entende?

Quando observamos uma dupla bebê-pais /educador, percebemos que o adulto fala com o bebê de uma forma bem especial. Ele usa diminutivo (menininho, bonitinho), usa frases curtas e simples (“o amor da mamãe”, “tá gostoso, nenê?”), e o tom de voz é mais agudo, melódico, musical.

Essa forma especial de falar com um bebê é chamada manhês – praticada em todas as culturas – e provoca reações no bebê: vocalizações e expressões faciais. O bebê gosta e se liga na melodia da voz do cuidador, naquele “sobe e desce” meio cantado com que nos dirigimos aos bebês.

O manhês indica para o bebê o interesse do cuidador nele. Ao falar desta maneira, o cuidador convida o bebê a participar, estimula o bebê a produzir sons. E junto com as vocalizações do bebê e o manhês aparece o sorriso social.

 


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E como é para o bebê?

Muitas coisas estão se desenvolvendo nesse momento: o bebê e o cuidador mantêm a atenção focalizada um no outro. O olhar do bebê está dirigido ao cuidador (ao qual ele corresponde), o sorriso é recíproco, e o bebê descobre os movimentos de sua boca que produzem vocalizações e imitam os movimentos labiais de seu cuidador.

Quando o cuidador fala o “manhês” o que o bebê está aprendendo não é somente a língua materna, mas como se comunicar. Aprende o padrão de conversação do mundo adulto, no qual “um fala e o outro responde”. São turnos de falas que têm a estrutura de um diálogo. Portanto é preciso saber calar-se para que o bebê se manifeste.

Quanto mais sons o bebê é capaz de fazer, maior a possibilidade de ele ser entendido pelo cuidador; as diferentes tonalidades sonoras expressam estados afetivos (triste, bravo, alegre) que o cuidador atento será capaz de reconhecer. As possibilidades de comunicação do bebê se ampliam cada vez mais se o cuidador estiver disponível para percebê-las e responder a elas.

Vemos também o cuidador atribuir sentidos às vocalizações do bebê; o bebê resmunga e o cuidador diz “ai, tô com sono, mamãe”, ou o bebê diz “ah…” e o cuidador diz “qué passeá?…”.

Nesse momento o cuidador fala pelo bebê, coloca-se no lugar dele, imagina o que ele gostaria de dizer, embora não saiba falar. O cuidador “ouve” o que o bebê ainda não é capaz de dizer.

O manhês pode e deve ser estimulado em casa, na creche e nos abrigos, nas situações de alimentação, troca, banho e sono, pois estes são os momentos privilegiados de interação do cuidador com o bebê.

O Silêncio perigoso

É bom se preocupar com bebês silenciosos, que nunca choram ou balbuciam; eles podem ter desistido de tentar estabelecer contato, de chamar o adulto cuidador. Isso costuma acontecer quando o choro do bebê é desconsiderado de forma freqüente e contínua.

O cuidador, ao se encontrar com um bebê nestas condições, precisa se aproximar e “brincar” com o bebê por meio de sons. Sem exagerar, para que o bebê não se feche mais ainda, estimular o bebê chamando-o sempre pelo nome, sorrindo e falando “manhês”. Com certeza os resultados serão positivos.

*Autora: Silvia Gomara Daffre, psicóloga, formada pela PUCSP em 1974; atua em consultório, atendendo crianças, adolescentes e adultos. Trabalha com assessoria e consultoria para a Primeira Infância (0 a 6 anos). Email: silvia@silviamaterne.com.br /  site: www.silviamaterne.com.br / Tel.(11) 55752359

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