Meu filho põe objetos na boca

“Nãooo, não põe na boca isso!!”….”Isso é caca, tira da boca!”…..”Doutor(a), meu filho põe objetos na boca! O que eu faço?!”…….Qual pai, mãe, avô, ou qualquer adulto já não esbravejou as frases acima para uma criança pequena? Aposto que todos os leitores aqui já vivenciaram isso. Desde os primeiros momentos de vida, o bebê faz contato com o mundo através da boca. Os dedinhos já vão à boca dentro do próprio útero, sabia?!

Mais tarde aparecerão, também, os dedinhos alheios, as mãozinhas, o seio materno, a mamadeira, a chupeta e porque não a ponta de um cobertor?! É comum os bebês colocarem na boca qualquer objeto com os quais eles entrem em contato, isso porque ao nascer, o bebê tem na boca a parte mais sensível e inteligente de todo o corpo. Eles estão constantemente aprendendo através do que eles colocam na boca. É realmente uma janela para o mundo!

O próprio corpo é o seu primeiro brinquedo oral! Devemos oferecer outros brinquedos para o bebê após ele ter tido a oportunidade de explorar seu próprio corpo (mãos, dedos, punhos, etc.). Essa exploração do mundo através da boca ocorre, principalmente, nos primeiros 4/5 meses de vida, podendo se estender um pouco mais, influenciando até mesmo a fala do bebê.

A época de nascimento dos dentinhos aumenta o desejo por objetos na boca, isso porque eles, geralmente, oferecem conforto oral nessa fase. O mais importante disso tudo é que será  através desses brinquedos orais que o bebê aprenderá a se familiarizar com várias sensações, descobrir sobre formas, tamanhos, texturas, sabores, etc. Cada objeto ou brinquedo oferece uma oportunidade diferente de aprendizado.

Toda essa variedade ele vai encontrar também nos alimentos. Estando mais familiarizado com isso, muito provavelmente, ele fará uma transição mais segura e confortável do seio materno para outras formas de alimentação. As crianças ficam mais confortáveis com colheres, copos e as várias texturas e tipos de alimentos, quando eles já tiveram essas mesmas experiências, inicialmente, através dos brinquedos orais.

O desenvolvimento da coordenação mão-boca também é muito importante nessa fase. Ele vai precisar dela para segurar seu próprio copo, uma banana ou mesmo usar uma colher.

meu filho poe objetos na boca

Quando a brincadeira começa.

Em torno dos 6 meses, com um maior desenvolvimento motor, quando o bebê já consegue sentar, alcançar seus próprios brinquedos e levá-los a boca, a brincadeira realmente começa!

A sua mandíbula já abre e fecha, a língua se mexe com mais liberdade de um lado para o outro e os lábios abocanham qualquer coisa que passe pela frente! Isso pode ser um pesadelo para as mães e os pais!!

É preciso ficar muito atenta a pequenos objetos ou partes deles que possam se soltar e se tornar um risco para o bebê. Os brinquedos devem ser facilmente segurados pelo bebê, livres de substâncias tóxicas e laváveis.

Os primeiros brinquedos devem se os mais simples em formatos e texturas e assim que o bebê estiver confortável com eles, você pode introduzir outros formatos e texturas mais variadas. É muito importante observar o interesse da criança, algumas preferem objetos macios, outras preferem os mais duros, uns preferem os que fazem barulhos, outros não. Siga sempre o seu filho e ofereça gradativamente novos desafios!

Não se esqueça de que a própria alimentação vai servindo, aos poucos, como meio para várias experiências, descobertas e novos aprendizados. Manipular, tocar, cheirar os alimentos durante as refeições é de uma importância enorme!

Mesmo os mais grandinhos se beneficiam dessas experiências de colocar objetos na boca.

Essa necessidade de exploração oral pode ser vista, também, nas crianças maiores que adoram morder uma borracha, a ponta da caneta ou do lápis, e etc.

Algumas crianças com problemas de alimentação não tiveram muitas oportunidades de exploração oral, foram privadas dela ou tiveram experiências orais ruins, as quais geraram algum tipo de desconforto. Todas essas situações ficam na memória e podem ser relacionadas com a comida. O importante é desde cedo tentar estabelecer uma relação prazerosa com a comida.

Com boas lembranças e muitas oportunidades de exploração oral a criança vai achar bem divertida essa historia de comer!!!

*Autora: Claudia de Cássia Ramos: Fonoaudióloga clínica atua nas áreas de motricidade oral, fala, linguagem e dificuldades alimentares. Integra a equipe do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI, Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Infantil Sabará. Realiza atendimento clinico, pesquisa e publicações na área. Escreve no blog www.falandosobrealimentacao.com.

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