Mel para crianças: mitos e verdades

Antes de falarmos sobre as contraindicações do mel para crianças menores de um ano, não poderíamos deixar de dedicar um tempinho, primeiramente, para falarmos sobre os benefícios deste alimento natural e seu poder adoçante em relação ao açúcar refinado, tornando-se um excelente substituto em sobremesas!

Você sabia que o mel foi o primeiro ingrediente usado para adoçar preparações? Não? Então, senta que lá vem história! Os primeiros registros de preparações doces à base de mel são lá do século I a.C: o grande filósofo romano Cícero cita ter comido na Sicília tubinhos de massa de farinha, muito doces, recheados com leite, descrição que remete a um dos doces mais famosos do mundo, o cannoli siciliano. Era muito comum receitas de cremes e pudins, feitos  com ovos, leite, mel e pimenta do reino assados ou cozidos até ficarem encorpados. Existia  também o hábito de caramelizar amêndoas e avelãs com mel e  bebidas à base deste ingrediente, das quais as mais comuns eram o hidromel e o vinho de frutas, de onde se origina a sidra!


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Além de ser o adoçante natural é fonte de energia e apresenta efeitos super importantes para a nossa saúde: favorece nosso sistema imunológico,  é antibacteriano, anti-inflamatório, analgésico, sedativo e expectorante (SOUZA et al., 2004).

Mais saudável e nutritivo do que o açúcar, o mel é basicamente constituído de  frutose e glicose e pode ter colorações que variam de quase incolor a marrom escuro, com variações nítidas também no aroma, viscosidade e sabor, que vão depender da flor e da abelha polinizadora! (ESCOBAR, XAVIER, 2013). Por este motivo, apesar de super nutritivo, ele também não deve ser consumido em excesso! Apesar de tantas variações, uma coisa é regra: Mel absorve umidade e por isso cristaliza! Este é o verdadeiro mel. Se não cristalizar não é mel puro e sim xarope de milho! Ficou pensando naquele pote de mel que você jogou fora porque cristalizou e você pensou que estava estragado não é? Mas agora que você já sabe que isso é comum, aprenda o que fazer diante de um pote de mel cristalizado: para que ele volte a ficar líquido, aqueça no vapor quente do banho maria ou no micro-ondas somente a quantidade que você deseja utilizar!

Vai usar o mel para preparar um docinho? Então fique esperto: lembre-se que este é mais viscoso e mais doce do que o açúcar, por isso, você deve ajustar as proporções da receita: para cada 100g de açúcar de uma receita você vai utilizar 75 gramas de mel!

Por que não devemos oferecer mel a crianças menores de 1 ano?

Se você tem filhos, ou participa do cuidado de crianças, já deve ter ouvido esta recomendação da nutri e do pediatra, certo? Mas, você sabe o motivo?

Vamos recapitular algumas informações, e já reforçar alguns lembretes para os futuros cuidadores!

Botulismo é uma infecção pela bactéria Clotridium Botulinum, bastante séria e que pode levar à morte, porque bloqueia as funções das células nervosas e pode levar à paradas respiratórias e musculares. Mas, não desesperem! Tem tratamento, à base de antitoxinas (não precisa de antibiótico na maioria dos casos) e a incidência de casos fatais é bastante rara.

Onde podemos adquirir esta infecção? Através da intoxicação alimentar, principalmente. O Botulismo não é transmitido de pessoa para pessoa por toque ou fluidos, como a gripe.

E por que a preocupação com as crianças menores de 1 ano? Por conta do Botulismo infantil. O mel é um alimento que pode conter esporos da bactéria. Uma vez dentro do corpo do bebê, os esporos podem gerar a bactéria ativa e liberar as toxinas. A partir dos 6 meses, começamos a fortalecer a imunidade intestinal que evita a ativação e multiplicação desta bactéria, porém esta defesa só se torna suficiente para evitar a infecção a partir dos 12 meses. Por isso, devemos evitar este alimento antes dessa fase!

Quais os sintomas do botulismo infantil? Os estudos mencionam a constipação intestinal, perda do apetite, fraqueza e alterações neuromotoras (como a redução do controle do tronco e cabeça).

Por que não se faz uma vacina para isso? Ela já existe! Porém ainda não é aprovada por falta de evidências científicas consistentes. Por enquanto, nada feito!

Então, já sabem né? Nada de mel antes dos 12 meses! 

Referências e Fontes:

ESCOBAR, AL; XAVIER, FB: Propriedades fitoterápicas do mel de abelhas. Rev. UNINGÁ, Maringpa – PR,  jul/set 2013.

SOUZA, et al: Valor nutricional do mel e pólen de abelhas sem ferrãoda região amazônica. ACTA Amazônica. VOL. 34(2) 2004: 333 – 336

Organização mundial da saúde: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs270/en/

*Autoras: Parceria do site de assessoria nutricional Mestre Cook Assessoria.

Aline Rissatto, Nutricionista e gastróloga, formada pelo C. Univ. São Camilo e certificada pela escola de gastronomia Le Cordon Bleu – Paris, em Cuisine e Pâtisserie. Pós graduada em Cozinha Brasileira pelo SENAC. Docente do curso de gastronomia da Faculdade Mário Schenberg. Atuou por 3 anos em projetos de educação nutricional e sustentável para escolas públicas e particulares de São Paulo, com oficinas culinárias infantis em parceria com profissionais formados em técnica clown pelos Doutores da Alegria. Ministra cursos áreas de nutrição e gastronomia, além de realizar eventos gastronômicos. Autora das receitas do livro “Gourmet & Sustentável: Cozinhando com as Partes não Convencionais dos Alimentos”. Apresentadora do programa “Receita de Família”, transmitido pela TV Cultura. 

Maria Beatriz, Chiaradia, Nutricionista e mãe do Lorenzo (alérgico à proteína do leite de vaca). Graduada pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em Nutrição Clínica em Pediatria pelo Instituto da Criança (HC-FMUSP). Possui cursos de amamentação e de educação nutricional na infância e adolescência. Trabalhou durante 6 anos na área hospitalar; atualmente faz acompanhamento nutricional em consultório para o público materno-infantil, adultos e idosos. Sua principal área de atuação é alimentação infantil – do nascimento à adolescência, alergias e intolerância alimentares, nutrição aplicada às doenças e vegetarianismo.

Rachel Machado, Nutricionista, formada pelo C. Univ. São Camilo, especialista em Nutrição clínica (HC-FMUSP) e pediatria (EPM/UNIFESP), Mestre em Ciências da Saúde e doutoranda em Pediatria (EPM/UNIFESP). Docente do curso de pós graduação em Nutrição Materno-Infantil do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMEN) e parte da equipe do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI/Hospital Infantil Sabará, estuda e coordena pesquisas nas áreas de dificuldades alimentares na infância, obesidade infantil e alimentação saudável na adolescência. Atua também no atendimento clínico de público materno-infantil.

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