[Dicas] – Filmes que exploram o olhar das crianças sobre o mundo – Part. 2

Dando continuidade ao post da semana passada: [Dicas] – Filmes que exploram o olhar das crianças sobre o mundo – Part. 1, hoje informamos abaixo mais 10 sugestões de filmes que exploram o olhar das crianças sobre um mundo não tão colorido quanto estamos acostumados aos filmes infantis.

Quando pensamos em filmes com crianças, não vem à nossa cabeça realidades adversas e complexas, mas o cinema tem se dedicado bastante em construir um olhar infantil sobre situações permeadas pelo sofrimento.

E se a realidade vivida é difícil de suportar, maior a necessidade de substituí-la por outra mais lúdica e poética, o que as crianças fazem melhor do que ninguém.

O Centro de Referências em Educação Integral preparou uma seleção de produções, de diversos países, que registram histórias nas quais diversos acontecimentos – da separação dos pais a eventos históricos trágicos, passando por situações de vulnerabilidade social e o luto – são protagonizadas por crianças. Confira!

#1. Persépolis (Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, França, 2007)
Classificação indicativa: 12 anos

A premiada animação está baseada na autobiografia da iraniana Marjane Satrapi, escrita no formato HQ. O filme retrata sua vida até seus vinte pouco anos, detendo-se por um tempo em sua infância, que coincidiu com o período das movimentações populares que levaram à queda do Xá Reza Pahlavi, em 1979, e a subida ao poder dos líderes xiitas. Marjane relembra os impactos das transformações sociais na vida de sua família, formada por intelectuais de esquerda, o que culminou com a decisão de seus pais de enviá-la para a Europa.

#2. Cría Cuervos (Carlos Saura, Espanha, 1976)
Classificação indicativa: indisponível. 

A temática da morte, do luto e como ele é vivido pelas crianças está presente nessa obra de Carlos Saura, na qual a pequena Ana procura compreender as razões do falecimento de sua mãe e seu pai, em um curto espaço de tempo. Ela recorre à fantasia para explicar as perdas e passa a acreditar ter poder sobre a vida e a morte das pessoas a sua volta. A menina passa a viver com uma tia e receber uma educação rígida, em um contexto de uma Espanha que chegava ao fim da ditadura franquista. Ela narra suas lembranças vinte anos após as cenas retratadas, criando um diálogo entre as recordações infantis e a vida adulta.

#3. Fanny e Alexander (Ingmar Bergman, Suécia, 1982)
Classificação indicativa: 14 anos

A história do clássico de Ingmar Bergman se passa no início do século 20, na cidade sueca de Uppsala, e reflete um pouco da própria infância do cineasta. Após uma festa de Natal, o pai dos irmãos Fanny e Alexander passa mal e falece. A mãe das crianças decide casar-se de novo com um rigoroso bispo que se torna o padrasto das crianças. Elas vivenciam uma abrupta mudança: de um lar afetuoso, cercado pelas artes e pelo teatro, para uma residência sombria, com regras rígidas. Os irmãos não têm acesso a livros, brinquedos e Alexander passa a fantasiar com o fantasma do pai e também com os da ex-esposa e filhas do padrasto. Conforme a mãe toma consciência da real personalidade do novo marido e de quanto os seus filhos sofrem, passa a planejar uma maneira de levá-los de volta à casa da avó.

#4. Túmulo dos Vagalumes (Isao Takahata, Japão, 1988)
Classificação indicativa: indisponível.

Discutivelmente a grande obra de Isao Takahata, sócio do lendário Hayao Miyazaki no Estúdio Ghibli, a animação de 1988 é também possivelmente um dos filmes mais tristes – e estranhamente bonitos – já produzidos. Ele narra os esforços e a luta pela sobrevivência do menino Seita e sua irmã Setsuko, de quatros anos durante os firebombings que o país sofreu durante a II Guerra Mundial e que causaram entre 200 e 900 mil mortes de civis. Isolados do mundo adulto, em um abrigo construído por eles que é pleno de sentido e carregado de dificuldades, eles enfrentam a tragédia, a morte, a fome, a violência e a indiferença, revelando momentos de solidariedade, cuidado, beleza e amor.

#5.  Onde vivem os os monstros (Spike Jonze, EUA, 2009)
Classificação indicativa: 10 anos

Em 1963, Maurice Sendak lança um livro de 338 palavras sobre um menino chamado Max, que ao ser repreendido pela mãe, vê seu quarto transformado numa floresta mágica. Ao chegar lá, domina os monstros e se torna rei. Sentindo-se sozinho, volta para casa onde uma janta o espera. O livro, rejeitado por professores e livreiros, causava enorme fascinação nas crianças e acabou por vender quase 20 milhões de cópias ao redor do mundo. Não à toa: nele estão representados diversas fases e emoções do desenvolvimento infantil, da raiva ao luto, da imaginação à tirania. Essas mesmas 383 palavras viraram um longa-metragem – muito mais indicado para adultos – que olha mais detidamente sobre a jornada de Max neste lugar assustador, escondido, próximo e familiar no qual vivem os – nossos, de todos – monstros.

#6. Bom dia (Yasujiro Ozu, Japão, 1959)
Classificação indicativa: indisponível

Um dos maiores cineastas do Japão, Ozu ficou marcado por usar um ponto de vista do nível do chão (tatame) ao filmar planos internos. A escolha estética faz ainda mais sentido quando em um filme como Bom dia, um dos últimos do diretor, que retrata a batalha de duas crianças – que fazem uma greve de silêncio – para conseguir um televisor em um Japão em franca industrialização e ocidentalização no pós-Guerra. O enredo, aparentemente trivial, revela os choques entre tradição-modernidade, mundo adulto-infância e ocidente-oriente. Um especialista em extrair tudo que há de mais humano e universal na rotina, Ozu traz neste filme um retrato bem-humorado da rebeldia infantil, da vida escolar e dos desafios de um país em reconstrução.

#7. A viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, Japão, 2001)
Classificação indicativa: livre

Vencedor do Oscar de melhor animação em 2003 (o qual Miyazaki não foi receber em protesto à Guerra do Iraque), o filme retrata a jornada de Chihiro, uma menina de dez anos, em um mundo fantástico, no qual ela se vê presa após os pais serem transformados em porcos enquanto mudavam de cidade, deixando seus amigos e rotina para trás. Lá, ela deve vencer as artimanhas de uma bruxa para voltar ao seu mundo. Maravilhosamente ilustrado pelos animadores do Estúdio Ghibli, A Viagem de Chihiro é também o testamento do percurso sensível da protagonista por um universo estranho e pouco familiar, que todos somos forçados a encarar: o fim da infância.

#8. Kes (Ken Loach, 1969)
Classificação indicativa: indisponível.

Morando com a mãe e com um irmão abusivo, o garoto Billy Kasper é estigmatizado pela escola e pelo mundo em que vive, nos arredores da região mineira de York, um local característico da classe operária inglesa em declínio. Desinteressado pelas matérias da escola, Billy descobre um interesse pela falcoaria, começa a estudar o tema e logo captura e domestica um falcão. Um dos primeiros filmes de Ken Loach, um diretor consagrado por retratar as lutas sociais e os desafios das populações mais vulneráveis, Kes apresenta um enfoque próximo e afetivo da vida de um menino remando contra o mundo, movido pela curiosidade, pela inventividade e pela simples necessidade de sobreviver e dar sentido à sua vida, em meio a tudo que lhe agride.

#9. O Contador de histórias (Luiz Villaça, Brasil, 2006)
Classificação indicativa: 10 anos

O filme é uma biografia de  Roberto Carlos Ramos. O filme se passa na década de 1970,  na cidade de Belo Horizonte. Então um garoto, Roberto vive com a mãe e nove irmãos em uma favela e acaba indo para a Febem, antiga Fundação Casa. Entre a rua a instituição, o menino vai sobrevivendo de pequenos delitos e se torna usuário de drogas. Na rua, conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas que decide adotar Roberto, o alfabetiza e o leva à França, onde tem a oportunidade de continuar os estudos. Anos depois, Roberto retorna à Febem, mas como professor, para educar aos internos.

#10. Meu pé de laranja lima (Marcos Bernstein, Brasil, 2012).
Classificação indicativa: 10 anos

Baseado no livro de mesmo nome que atravessa gerações de brasileiros, o filme conta a história de Zezé, um menino inquieto, que vive em uma família muito pobre no interior de MG, com um pai desempregado e alcoólatra e uma mãe que se esforça para manter a casa. Por conta de suas travessuras, Zezé é constantemente submetido a castigos e privações. Solitário, Zezé brinca no quintal e encontra companhia em um pé de laranja lima, o qual apelida de Minguinho. Em uma de suas confusões, acaba brigando com o Portuga, um senhor que vive nas redondezas. Aos poucos, o menino e o velho vão deixando a rivalidade de lado, tornam-se amigos e compartilham histórias do mundo de fantasias de Zezé.

*Escrito originalmente por Dafne Melo. Colaborou Pedro Nogueira, do Portal Aprendiz. Adaptado por Leandro Ziotto, pai do Vinícius e Co-fundador do 4daddy. As classificações indicativas foram verificadas na página do Ministério da Justiça

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