Uma boa conversa pode ser a solução para melhorar o diálogo entre pais e filhos.

Umas vezes por falta de tempo, outras por desinformação, e outras ainda por indisponibilidade, reparamos que alguns diálogos entre pais e filhos se transformam rapidamente em monólogos, em que há um que fala e outro que provavelmente escuta.

Também há situações em que os pais têm a percepção que até falam com os filhos sobre tudo, mas parece que isso não adianta, a maior parte das vezes também eles sentem que não são ouvidos.

Existe claramente uma diferença entre ouvir e escutar, em que o ouvir é apenas a captação de sons enviados e processados, e o escutar já exige sensibilidade, é ter disponibilidade e entendimento da informação que está a ser processada. É ter empatia, sabermos colocar-nos no lugar do outro para o entender, é estar com o coração atento, ajudar e sobretudo não criticar. A crítica destrutiva, muitas vezes, feita em prol dos valores educacionais, é uma das maiores causas do distanciamento entre pais e filhos.

E quando isso começa a acontecer cria-se um desconhecimento dos pais em relação aos pensamentos, ideias e vontades dos seus filhos. Sem saberem como agir, o distanciamento alcança um ponto tão crítico que os pais só chegam a detetar diferenças nos seus comportamentos perante uma situação crítica e, que por vezes, já é de difícil retorno.

Conquistar a confiança das crianças é um trabalho que deve ser iniciado desde os primeiros contatos com o bebé. A dependência da criança nesta altura, facilita este estreitamento de laços que serão estimulados no futuro à medida que ela se torna cada vez mais independente. É preciso ouvi-la com atenção, fazer-lhe perguntas que a façam perceber o seu interesse pelo que ela está a dizer e sobre o que acontece com ela, sendo isto muito diferente de inquirir como se quiséssemos invadir a sua privacidade.

Nunca foi tão importante o contato humano e as nossas crianças também sabem disso. Na maioria das vezes elas possuem tantos aparelhos, que mediatizam a relação através deles, usam os telemóveis, computadores as webcams, etc. que facilitam a comunicação social, no entanto é essencial a relação presencial, o toque, falar com elas e ensinar-lhes o que elas necessitam de saber. É fundamental ter disponibilidade para estar junto da criança permitindo que ela compartilhe emoções e comportamentos, sem julgar e acusar, apenas conversando com ela.

Os gritos e as acusações não acrescentam nada à comunicação, antes pelo contrário diminuem a possibilidade de um diálogo genuíno. Essa é a melhor forma de as acompanhar, de estarmos próximos delas, das suas emoções, aflições, dúvidas, perigos e preocupações.

Deixo-vos aqui um modelo/exemplo de comunicação que vos poderá ajudar em situações em que os vossos filhos fizeram algo que vos desagradou e que é baseado em cinco pontos:

1 –Nomear a emoção (dizer como se sente perante o acontecimento)

“Eu fiquei/estou triste…desiludido(a)…furioso(a)”

2- Relatar o sucedido, do seu ponto de vista

“Quando aconteceu isto…fizeste aquilo…disseste que…”

3- Propor mudanças

“Gostava que de agora em diante fosse assim…não acontecesse…”

4- Apontar benefícios da solução

“As coisas correriam melhor se…

5-Apontar desvantagens da irresolução

“Serás castigado…Perco confiança…”

Ouçam com o coração e Boa Sorte.

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