Bebidas alcoólicas são PREJUDICIAIS à saúde da criança e do adolescente, diz SBP

Nas últimas décadas, os padrões de morbimortalidade sofreram modificações profundas, sendo que a predominância das mortes deixou de ser ocasionada por doenças infectocontagiosas para ser decorrente de doenças ligadas às  mudanças no estilo de vida. Esse processo é conhecido como transição epidemiológica e afeta todos os países. Entre os comportamentos prejudiciais à saúde, destaca-se o consumo de álcool, por ser um dos mais prevalentes na população, inclusive entre crianças e adolescentes.

Segundo dados apresentados pela Organização Mundial de Saúde (OMS,2014), o consumo de álcool excessivo no mundo é responsável por 2,5 milhões de mortes a cada ano. O percentual equivale a 4% de todas as mortes [no mundo], o que faz com que o álcool se torne mais letal que a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids)
e a tuberculose. A OMS também estima que 76,3 milhões de pessoas possuam diagnóstico de consumo abusivo de álcool.

Álcool na adolescência

O álcool na adolescência é fenômeno complexo, multifatorial e socialmente determinado. Participam da cadeia descritiva das causas do uso do álcool diversos fatores sociodemográficos no contexto do ambiente familiar, escolar além de outros fatores, como a relação com amigos e outros adolescentes(5). Os fatores que controlam a oferta, o acesso e o marketing envolvendo as bebidas alcoólicas são fundamentais para se compreender o contexto social, pois ultrapassam os fatores individuais.

“A prevenção deve começar na infância, em especial na família, que é o primeiro exemplo”.

O álcool é a substância psicotrópica considerada droga legal mais utilizada por adolescentes no Brasil e no mundo. Seu consumo nesse grupo é preocupante, tanto pela maior tendência à impulsividade e atividades de risco, nessa fase da vida, quanto pelo prejuízo ao desenvolvimento cerebral na infância e na adolescência, determinando repercussões
durante a vida adulta. O consumo de bebidas alcoólicas compromete, sobretudo, a região cortical, afetando negativamente o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do indivíduo.

Álcool também é droga

O uso de álcool na adolescência tende a ocorrer em conjunto com outros comportamentos de risco para a saúde,
como o uso de tabaco e de drogas ilícitas, além de comportamentos de risco sexual e maior número de acidentes automobilísiticos.  O envolvimento precoce com esse tipo de substâncias, ainda que de forma curiosa e experimental,
poderá causar danos ao desenvolvimento cognitivo e fisiológico, além de atraso no desenvolvimento da capacidade de autocontrole dos adolescentes, tornando-os mais suscetíveis às influências de amigos no seu envolvimento em outros comportamentos de risco.

“Álcool é considerado uma DROGA, mesmo sendo legal e permitida a venda em muitos locais”.

Políticas públicas e iniciativas de promoção da saúde e prevenção ao uso do álcool em idade precoce devem ser articuladas, com o envolvimento de diversos grupos (pais, professores e escolas, pediatras, indivíduos que servem de modelos para os mais jovens e os gestores do poder público, educadores, membros da família e da sociedade em geral). Torna-se urgente envolver a sociedade no debate sobre o consumo de álcool entre adolescentes, visando aperfeiçoar as políticas públicas existentes, desde a regulação da oferta até a venda propriamente dita e o uso.

“Uso de álcool por menores de 18 anos deve ser PROIBIDO e FISCALIZADO, em todo território nacional”.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (eu participei, como membro do Dept Cient de Adolescência) elaborou e produziu um documento BEBIDAS ALCOOLICAS SÃO PREJUDICIAIS À SAUDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE”  e que está acessível no site p o publico em geral e com recomendações sobre as politicas públicas de intervenção, fiscalização e prevenção.

Leiam as recomendações e acessem no site o link: http://bit.ly/2u8Yymb

*Autora: Evelyn Eisenstein, possui graduação em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1972), mestrado em Endocrinologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1991) e doutorado em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (1999). Professora Associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, editora científica da Revista Adolescência & Saúde, e membro da International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect, e da Society for Adolescent Health and Medicine, SAHM e consultora – Medical Missions for Children. Tem experiência na área de Medicina, Pediatria e Clinica de Adolescentes, atuando principalmente nos seguintes temas: adolescência, rastreamento de riscos, ações de prevenção, crianças e adolescentes. Atualmente, Coordenadora de Telemedicina da FCM-UERJ e Coordenadora do SIG de Saúde de Crianças e Adolescentes da Rede Universitária de Telemedicina, RUTE, para todo território nacional. Diretora da Clinica de Adolescentes e do CEIIAS, Centro de Estudos Integrados, Infância, Adolescência, Saúde (www.ceiias.org.br). Recebeu o premio Outstanding Achievement in Adolescent Health and Medicine, da Society for Adolescent Health and Medicine, durante o 2015 Annual Meeting, que ocorreu em Los Angeles, Estados Unidos.

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